Com a abertura da 36ª Bienal de São Paulo, o circuito das artes da capital entra em ebulição. A cidade se transforma em palco para encontros, debates e experiências visuais que atravessam fronteiras. Além da Bienal, selecionamos dez exposições paralelas espalhadas por museus e galerias ampliam o diálogo entre artistas locais e internacionais, oferecendo um panorama vibrante da produção contemporânea.
O título da 36ª Bienal se inspira no poema “Da calma e do silêncio”, de Conceição Evaristo, e tem como alicerce a escuta ativa, compreendendo a humanidade como um processo contínuo de encontro e negociação. A mostra internacional é ponto de partida para o vibrante calendário artsy de São Paulo.

A artista francesa Eva Jospin cria florestas densas e labirínticas usando camadas de papelão corrugado. A exposição transforma um material industrializado e cotidiano em paisagens vivas, explorando a memória da matéria e a ideia de se perder para se reencontrar.

Marilá Dardot usa pinturas, bordados e instalações para abordar sonhos, desejos e questões sociais. A mostra apresenta obras colaborativas com trabalhadores e detentas, questionando a disparidade econômica e o impacto ambiental por meio de gestos poéticos e políticos.

Em sua primeira individual, o artista mineiro Paulo Nazareth ocupa o espaço da galeria com obras inéditas de seu arquivo e peças recentes. A mostra narra a jornada do artista, entrelaçando sua história com a de seus ancestrais e a de divindades, misturando tradição oral e história oficial.

Com curadoria do ganês-americano Larry Ossei-Mensah, a mostra reúne artistas brasileiros que reimaginam a abstração a partir de suas heranças pessoais e culturais. As obras entrelaçam memórias e gestos visuais, desafiando a ideia de identidade fixa e acessando histórias que geralmente ficam à margem.

A exposição apresenta a produção recente de Ana Elisa Egreja, com destaque para a nova série de pinturas de pratos Duralex. A artista investiga objetos domésticos, misturando elementos do cânone artístico com a cultura popular e criando diálogos com a história da arte.

A mostra anual do CCSP apresenta 24 artistas emergentes da cena contemporânea brasileira. As exposições individuais e simultâneas ocupam dois andares do centro, apresentando um panorama de diferentes visualidades, materialidades e origens geográficas do país.

Em sua primeira individual, Juliana dos Santos apresenta o resultado de sua pesquisa com pigmentos naturais da flor Clitoria ternatea e de outras fontes vegetais para criar pinturas que se transformam com o tempo. A exposição explora a cor como experiência sensível, desafiando os limites da representação e a impermanência.

A exposição reúne parte da coleção de Édouard Glissant, com obras de artistas com quem ele conviveu. A mostra ensaia a ideia de um “Museu da Errância”, apresentando trabalhos em diálogo com mais de 30 artistas contemporâneos de diversas partes do mundo.

A exposição investiga como artistas e ativistas respondem às crises atuais, explorando as relações entre os seres vivos e o ambiente. A mostra é organizada em núcleos que abordam a interdependência entre humanos e não-humanos, além de deslocamentos forçados e a complexidade de diferentes formas de vida.
